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***o desembarque e o porvir***

Na areia fria, repousarei meu corpo cansado, pensava ela enquanto caminhava ladeira abaixo. Mais inadequadas que suas vestimentas eram suas idéias a respeito do todo, aliás, o todo sempre a detivera longo tempo. Ainda quando menina admirava-se com partes, mas faltavam-lhe ligações, elos imaginários entre as coisas, plantas, seres, cores. Não conseguia conceber signos sem associações que lhes ilustrassem, colorindo-os com significados aprovativos de sorriso a soslaio. A música pusera mais ardor nesta alma inquieta, mas que serenava tardiamente quando a lua subia noite adentro. Divino mistério entre o romper da aurora e o cair da tarde. Quanta magia e sentimentos sombrios contidos na retina da vista já cansada. A hora da 'ave maria' e a tão velha conhecida fobia do embrenhar-se na multidão... hora do rush, momento pálido entre o nó na garganta e o riso contido frente as primeiras estrelas a cintilar o céu de azul rosado...

Detivera-se por um momento entre o toque do telefone público por onde passava, enquanto ouvia por sobre dolorosas lembranças a cançoneta tocando em sua vitrola de infância: " leve, muito leve pousa suave coisa, suave coisa nenhuma..."...como que se a sintonia da vitrola não dependesse do LP tocando, mas sim de uma mudança de faixa de rádio, pulava então pra canção que lhe garantia maior afinidade ao andarilhar pelas ruas noturnas da mais bela cidade - "O gato preto cruzou a estrada, passou por debaixo da escada...e lá no fundo azullllllllllllllllllll" ... como que em instantes infindos, um turbilhão de emoções a fizeram suspender os passos e voltar-se ofegante às memórias nem tão presentes em sua vida de agora. Como que querendo certificar-se não estar sendo seguida, ela apoiara-se no parapeito da janela angular de uma casa, na beira da calçada. A calhar, uma Ipê cobria a calçada com suas amarelas, por sobre onde seus pés recobravam o vigor junto a espinha dorsal, que se refazia. Calafrios de angústia ao cair da tarde. Ela apenas tentava desacelerar seu coração que  lhe saltara no peito, trazendo-lhe reminiscências.

Uma nuvem encobriu por fim os últimos raios de sol e o tapete amarelo ganhava nova textura sob seus pés já andados. Sempre os castigara por excesso de suas noites não dormidas, como se a estes coubessem as tarefas de sustentação para toda sua epopéia noturna. O tom amarelado e envelhecido das 'ipês' levaram-na pra onde alguns brilhos haviam também ficado, ofuscados na palidez da consciência presente, e repentinamente o inevitável - depara-se com os sonhos impossíveis de anos vindouros. Alguns realizados outros interrompidos, outros tantos desenhados em papel marchê colorido e soterrados como fuzis descartáveis após o cessar de guerra. Um silêncio ensurdecedor a tomara nos braços e por não saber ser o calor intrépido a destituir-lhe as forças, quisera correr de encontro a todos amigos queridos, dos anos dourados da juventude partilhada, sonhos em comum vividos. Parecia-lhe que, se pudesse tocar qualquer que fosse o pensamento trazido e soprá-lo com força desmedida, parecia-lhe infinitamente que poderia então se retratar consigo mesma. Uma brisa leve começava a soprar seus cabelos em desalinho, enquanto seus órgãos internos pareciam-lhe desordenados, em busca de algum 'elo' perdido que pudesse trazer a si algo de seus momentos longínquos, que a possibilitassem algum referencial com o presente que se descortinava feito catarata a cegar-lhe a coragem de prosseguir viagem, nesse barco a vapor da correria nativa...

Enquanto menina e mulher se entreolhavam, apenas dois túneis disponíveis. Num deles num tilintar de holofotes e lanternas, ela pode notar a brisa urbana a lhe fazer companhia. Por entre árvores de raiz mais espessas encontravam-se mesas e bancos e cadeiras e rodelas de pão sírio e copos americanos. Amarelinho como ele deve ser, a esquina e suas curvas em balcão nogueira, toldos amarelos a cobrir a presença acesa das arandelas na praça. Entre a banca de jornal e as lojas americanas - trânsito; pra o Outeiro da Glória uma luz já metamorfoseada, entre o lilás do porvir e o branco alvo dos primeiros raios da lua. O luar nos arredores da Lapa. O Chorinho. Os mambembes. As mulatas, as douradas, garotas de praia a surrar as vistas dos alheios. Eis que ela revira-se e o outro túnel parece iluminado demais. Será esta a direção a seguir quando a pressa de partir dessa ausência vaga a torna tão fraca??? Decidir entre ir e ficar requer a ela um tumulto de emoções,  que se seguiram entre os passos que antecederam a parada e os mistérios infindáveis que ainda a mantém no curso. Sua 'história' requer movimento, alimento e certos quesitos de importância maior ou menor,  entre os quais discernir entre suas verdades e mitos já não lhe compete mais. Agora ela apenas quer reiniciar, titubeante, seus passos congelados naqueles momentos entre o desembarque e o porvir...

Boa parada...recuperaram-se os pés...os ipês acalmaram-lhe a vista e seguir o curso agora se faz preciso...o todo agradece as partes envolvidas e recomposta ela corre ao encontro de si: Inteira! Entregas à parte, mas o todo é só e consigo mesma...

Que haja novas páginas a serem descritas, pois que certamente as amareladas foram impetuosamente vividas. Como que num click, fecha a vasta coletânea de suas memórias, confere o 'hard disc' e dispara a adrenalina pras memórias todas livres, pois que há vida lá fora desta mente inquieta, aguardando generosa e apreensiva a oferta de pormenores amenos e indivisíveis. Sabores, fragrâncias, mantras e letras a serem testados às avessas, podendo jogar-se de ponta cabeça a revirar o espelho das almas amigas e dos corpos banidos do éden, por excesso de sentidos.

p.s. - Este texto corrido antecedeu o post anterior, e, assim sendo originou o 'Versando a Esmo'...



Escrito por Nana às 17h18
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